O colégio pra mim, depois de certa idade virou uma lugar de bagunça, confesso. Depois da sexta série as crianças começam a descobrir coisas novas, a rebeldia é a base de tudo (na minha época, pode ser que este dado estatístico tenha baixado). A curiosidade em conhecer o mundo e a vontade de andar livremente por ele faz dos muros do colégio um segurança baixinho e incapaz de segurá-las. A tendência é pular os paredões, eu fiz isso muitas vezes.

Minhas notas a partir da sexta série foram sempre lamentáveis e as visitas amigáveis a direção se tornaram rotina. Sempre tive boas desculpas e apenas uma vez meus pais foram chamados a depor (sim aquilo parecia uma delegacia). Mesmo assim no dia fui salvo pela minha tia que já estava lá ouvindo reclamações do meu primo, aproveitando o ensejo ela ouviu pelo meu pai e eles abortaram o convite especial que seria enviado a minha casa.

Apesar de fazer mesmo bagunça e em alguns momentos me exceder nas rebeldias nem sempre eu estava envolvido em todas as tramoias. Uma vez as cadeiras e mesas da sala do pré foram destruídas, a diretora ficou furiosa entrou na nossa sala bufando e disse: se vocês souberem quem foram os responsáveis me mandem um bilhete anônimo por debaixo da minha porta.Dessa vez estávamos tranqüilos, eu e minha gangue realmente não tínhamos feito nada.

Pra nossa surpresa depois do intervalo a diretora voltou à sala com uma lista de nomes e declarou bem alto: acompanhem-me Leandro, Guilherme, Izaldo e Camila. Perseguição! Dessa vez, realmente não tínhamos feito nada, mas sabíamos quem foi.

O interrogatório

– Leandro foi você? Eu não acredito! (realmente era difícil acreditar que fosse eu, essa minha cara de criança boazinha é eterna)

– Não professora, não fui eu.

– Então quem foi?

Eu respondi – o Vitor.

(você deve estar pensando agora: SEU CAGUETA)

Não, de jeito nenhum, sempre paguei pelos crimes cometidos no colégio, porque o bagunceiro não podia pagar? E mais, fui interrogado sob juramento e não podia mentir.

O rapaz foi chamado até a sala da diretora, ele morria de medo de nós e só de olhar pra nossa cara se entregou. A diretora não precisou nem perguntar.

– Fui eu sim, fui eu! (sabia que teria problemas se negasse).

Bom, nós fomos elogiados pela diretora, recebemos pedidos de desculpas pelo constrangimento e todas as honras da casa. O suficiente? Não, pois o espertalhão que fez a bagunça se saiu bem da situação.

A PUNIÇÃO

Declaramos que o Sr. Vitor deve pagar pelo prejuízo causado a nossa instituição consertando as mesas quebradas (duas) da sala do pré.

Sem mais,

Diretora

Colégio Estadual Prieto Martinez.

O engraçadinho fez o que fez e nem mesmo os pais dele foram chamados porque ele tinha dinheiro guardado, pagou pela mesa sem ter que pedir ao seu pai. Assim se livrou da situação difícil que se meteu. Nós ficamos aliviados de não sermos punidos, mas desapontados com a solução do caso, ele saiu contando vantagem.

Descanse no Senhor e aguarde por Ele com paciência; não se aborreça com o sucesso dos outros, nem com aqueles que maquinam o mal. Evite a ira e rejeite a fúria; não se irrite: isso só leva ao mal. Pois os maus serão eliminados, mas os que esperam no Senhor receberão a terra por herança. Salmos 37: 7-9

Engraçado como não ficamos satisfeitos em receber a justiça para nós não é, sempre gostamos de ver quem errou sendo punido. Ficamos mais satisfeitos com a punição ao outro do que pelo prêmio que recebemos de termos sido honestos.

Isso talvez seja da nossa natureza, tão acostumados com a injustiça que a chamamos assim (a injustiça) como se soubéssemos mesmo o que é ser justo. Nos fazemos juízes diante das desgraças apresentadas no dia a dia (nos fazemos). Ninguém nos declara assim, nós mesmos achando que entendemos de justiça nos intitulamos donos da lei.

Alguém teria poder para isso aqui na terra? Não, somente Deus é o juiz e Ele é quem sabe quais serão as punições para quem transgride as leis, sejam elas humanas ou celestiais. Por melhor que seja o ser humano, ele jamais conseguirá se transformar em um juiz que realmente seja justo.

Mas vivemos esperando a hora que nosso Deus virá, retornará a terra para buscar seus filhos e aí sim fazer a justiça, aí está nossa esperança de justiça. Jesus voltará e vai punir os responsáveis pela maldade na terra, punir os infiéis e fazê-los queimar eternamente. Olha só, outra vez temos o pensamento de que o grande prêmio é ver os outros sofrerem.

A verdade é que Deus não virá aqui com a missão de punir as pessoas. Sua GRANDE MISSÃO é resgatar os fiéis. Os que não foram fiéis simplesmente morrerão ao ver a Sua glória. Aos olhos humanos simplesmente a morte aos ímpios parece pouco não é? Não sofrerão, serão mortos e num piscar de olhos não existirão mais.

Mas o que não devemos esquecer é que o nosso galardão, a nossa recompensa não está em ver o sofrimento dos outros, mas sim na oportunidade que teremos de ver o nosso Deus voltar e de estar com Ele por toda a eternidade. Se nos mantivermos fieis nossa merecida recompensa virá. A recompensa dos infiéis esqueça e não se preocupe.

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