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Formatando

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A tecnologia tem ficado cada vez mais intensa no mundo, no que diz respeito aos aparelhos portáteis então, nem se fala. Quando eu era criança, a coisa mais tecnológica que existia de guardar no bolso era o “Tamagotchi”, hoje no bolso pode-se ter de tudo em um aparelho pouca coisa maior. Minha sobrinha mexe no celular, tablet, notebook e tudo mais com maestria, chego a achar genial. Mas ao mesmo tempo tenho certeza que a juventude da internet de hoje é tão fantástica quanto a do rádio de antigamente. Meu bisavô, com certeza, ficava chocado com a capacidade que meu avô tinha de sintonizar aquela caixa com apenas dois botões chamada: rádio. Aliás, nesse momento acabei de perceber que a tecnologia de hoje regrediu no quesito botões, voltou a ter poucos, como o rádio na década de 20. CelularesBom, mas vamos voltar a tecnologia, afinal hoje tudo se faz de um celular, qualquer tipo de comunicação pode ser feita por ele, temos TV, rádio, internet e, inclusive, telefone. Para saber qual caminho ir, liga-se o GPS no aparelho celular e uma voz te leva aonde quiser. Se simplesmente quer ver como é o lugar, acesse pelo mapa as fotos aéreas e, se isso não for o suficiente, acesse as fotos 360º da rua e terá a exata noção do que encontrará por lá.

Esquecer de levar a bíblia para a igreja já não é mais problema, pois ela também está dentro do celular. É tanta informação dentro de uma caixa tão pequena que vez ou outra ele para de funcionar. É, até um fantástico equipamento eletrônico de última geração tem esse problema da durabilidade. A tecnologia também tem vida útil, por mais moderna que seja.

Se, no aspecto memória é melhor do que o ser humano, nesse outro (vida útil) é pior. Um ser humano bem cuidado chega aos 80 anos, mas um celular jamais. E sabe o que é preciso fazer com um celular para que ele volte a ser bom depois de anos de uso? Formatação. Isso é zerar completamente todas as suas memórias, esvaziar completamente seu interior para que deixe de ficar sobrecarregado. Uma máquina quando volta ao seu início (é formatada) fica nova.

Então precisamos pensar que um celular novo é como um bebê que precisa aprender (ou ter instalado) todos os programas de novo, não guarda memória de nada que aconteceu. Ah! Como eu queria que o ser humano fosse assim, será possível?

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Pois, quando vocês foram batizados, foram sepultados com Cristo; e no batismo também foram ressuscitados com Ele por meio da fé que vocês têm no grande poder de Deus, o mesmo Deus que ressuscitou Cristo. Colossenses 2:12

Nós, humanos, somos livres como um sistema “Android”, podemos instalar uma diversidade gigantesca de programas em nossa memória. Irresponsavelmente alimentamos nossos pensamentos com coisas ruins que ouvimos, vemos, cheiramos e sentimos. Claro que usamos a memória pra muita coisa boa, mas temos a tendência de deixar reservado muito espaço para os momentos preguiçosos da vida, que nos deixam vulneráveis a receber coisas ruins por falta de vontade de mudar de canal ou pensar em algo mais produtivo para fazer.

O batismo nada mais é do que a formatação do ser humano. A nova vida, sem memórias dos erros e sem lembranças dos sofrimentos, apenas uma renovação. Começamos como um bebê, aprendendo como amar novamente, porque entendemos o quanto somos amados por Ele.

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A palavra batismo (do grego baptizo) significa mergulhar, imergir, afundar. Para iniciar esse processo de renovação, te convido a fazer isso com a palavra de Deus. Comece agora a estudar, mergulhe nela para que, em um futuro muito breve, possa passar pela regeneração que o batismo proporciona.

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Desafiando o Pessimista

Lelepz_Otimistas e Pessimistas_1Vejo sempre críticas sendo disparadas contra os pessimistas. Normalmente também são conhecidos como destruidores de sonhos, aqueles que não têm coração ou uma pessoa “carregada”. Quando escuto “pessoa carregada” fico imaginando ela ligada na tomada o dia todo, como meu celular que vive descarregado. Aliás, se ele está sempre descarregado, e ligando ao pensamento do pessimista, meu celular seria um otimista?

Os pessimistas também fazem por merecer, normalmente acordam de mau humor, seguem para o trabalho esperando a oportunidade de soltar uma previsão ruim. Alguém diz: olha que sol bonito! O Pessimista rebate: calma que já vem chuva por aí. E é quase como praga de mãe, se diz que vai chover, chove! E não adianta resmungar, se você não levar um guarda-chuva se molha, e é capaz de ter uma nuvem só na tua cabeça. Tenho a impressão que vendem essas nuvens naqueles sites da china e minha mãe com certeza entra nesse site, compra essa maldita nuvem e ativa assim que eu saio de casa. Só pode! Deve ser à bateria e nunca descarrega, ou seja, uma nuvem pessimista.

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Os pessimistas são assim, talvez não por simplesmente desejarem coisas ruins, muitos deles não são do lado escuro da força. Percebo que o acontece é que eles interpretam com simplicidade as informações que tem no momento e apontam o resultado. Quando eu era criança meu pai estava me levando pra aula, deu carona para a nossa vizinha, Dona Margareth. Entramos no carro e ela disse, vai chover hoje. Na minha inocência de criança respondi: claro, você fica falando, aí que chove mesmo! Eu acreditava que o que eu quisesse podia acontecer, era só pensar naquilo com vontade. E choveu naquele dia? Claro, a mulher tinha que abrir a boca.

Lelepz_Otimistas e Pessimistas_3Na verdade o que aconteceu não foi uma previsão poderosa da Dona Margareth, ela apenas olhou para o céu, viu nuvens carregadas se aproximando, analisou o vento, acrescentou isso a vasta experiência de seus quase 50 anos e concluiu, vai chover. Ela apenas pegou as informações que tinha de seu conhecimento sobre o assunto e resolveu a xarada. A maioria dos pessimistas analisa o assunto em questão e resolve com facilidade. Eles não possuem uma bola de cristal, mas acompanhe comigo: o Brasil investe uma quantidade ridícula de seus recursos em educação, esporte e cultura, assim fica fácil prever o resultado do país nas olimpíadas, e isso não tem a ver com pessimismo, mas realismo.

Mas e os otimistas, esses são bons? Ah, para um otimista não tem tempo ruim, sabemos o que vai acontecer na Olimpíada e ele continua dando suas previsões absurdas: vai ser o melhor resultado que já tivemos no boxe! Pode até ser, mas a questão é IIIIIIIIdaííííííííí??????? Somos orgulhosos de um PENTA CAMPEONATO de futebol, mas não temos a medalha de ouro em nenhuma Olimpíada. Pra nós o que importa é o futebol, cadê a medalha? Um otimista responde: ah, mas pelo menos o menino foi campeão nas argolas! Argolas? Argolas? Argolas? Argolas?

O otimista vem pra Curitiba dizendo que vai fazer sol o dia todo e, mesmo que erre, não tem problema porque deu certo de tomar uma chuva como não tomava desde a infância, ai que alegria. Os otimistas são “super pra cima”, animados, motivadores, incentivadores e pensam sempre positivo. Se “pensam positivo” então não ficam “carregados”, afinal para sermos carregados precisamos de pólos positivos e negativos, correto? Não sei se sou bom nessas coisas de física, ou seria química?

Em qual desses perfis você aposta? Gosta sempre de fazer parte do pensamento positivo? Ou é negativo, chato, reclamão e carregado?

Certa vez um “pessimista” disse: certamente morrerão!

E o Senhor deu ao homem a seguinte ordem: você pode comer as frutas de qualquer árvore do jardim, menos da árvore que dá o conhecimento do bem e do mal. Não coma a fruta dessa árvore; pois, no dia que você a comer, certamente morrerás. Gênesis 2:16,17

Certa vez um “otimista” respondeu: certamente NÃO morrerão!

Respondeu a mulher à serpente: “podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem no fruto; do contrário vocês morrerão”. Gênesis 3:2-4

O pessimista que disse que morreremos não disse isso por ser “negativo”, simplesmente interpretou os dados. Desobediência é igual a pecado, pecado é igual à morte. Um resultado simples de prever, afinal todas as coordenadas foram dadas, os seres mais inteligentes já criados ficaram empolgados com o que um otimista falou e esqueceram de pensar.

Lelepz_Otimistas e Pessimistas_5Hoje em dia o que mais se vende são os pensamentos positivos, pensar em coisas boas o tempo todo, levantar o astral e “energizar”. A vida passou a encobrir todas as informações óbvias de qual é o nosso futuro. É preciso deixar claro que a morte é destino certo, mas a possibilidade de VIDA está em outra informação dada pelo “pessimista”. O pessimista entregou sua vida para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Baseie sua vida nas informações corretas, ande pelos caminhos traçados por Deus e deixe de colocar sua esperança apenas em “energias positivas”.

Deus não é uma energia, é um SER REAL que te protege o tempo todo. 

Os Normais

Vergonha, você tem? Quem não tem vergonha? Durante a vida todos já tiveram pelo menos uma situação em que passaram vergonha. Eu tenho e não são poucas.

Empregos novos como estagiário onde eu, “menino guri”,entrei numa sala com pessoas (todas muito inteligentes, pelo menos mais que o estagiário) de diferentes culturas, ouvi assuntos que me pareciam muito, mas muito estranhos e fiz cara de que entendi.

– Pessoa inteligente disse: Leandro, por favor. Verifique com o cliente se já existe uma aprovação do layout do folder e me passa um feedback?

– Eu fingi que entendi: Ok.

É muito ridículo se eu pergunto: passar o que? Então eu faço cara que entendi, espero ela sair da sala, entro no Google (na época em que eu fazia estágio já existia essa benção) e descubro o que é o bendito feedback. Hoje percebo o quanto isso é simples, todos sabem o que é feedback, mas se não souberem eu não vou achar ridículo, terei compaixão e ajudarei, pois passei por esse sofrimento.

Já contei aqui uma história sobre o caqui (Salada de Frutas), hoje tenho uma divertida com goiaba. Em um emprego de Office boy eu recebi uma ordem para um serviço de muita importância para a empresa. A diretora me chama em sua sala e passa a missão: Vá até a quitanda e compre para mim duas laranjas e uma goiaba. Laranja tudo bem, eu manjo que é laranjadinha e redonda, mas goiaba, eu nunca gostei, portanto não sabia nem que cor era. Cheguei na quitanda, andei em direção as caixas de frutas posicionadas naquela bancada inclinada,plaquinhas e mais plaquinhas com os nomes de cada coisa.Fiz a colheita do solicitado, pesei, paguei e sai com sensação de missão cumprida.

Ao chegar no escritório entreguei as compras à diretora, ela sorriu e agradeceu enquanto eufui saindo feliz, mas antes de chegar na portaela disse:ei, ei, ei, o que é isso? Me direcioneiem câmera lenta e ao invés de responder, perguntei:não é uma goiaba?Resposta: isso é qualquer coisa menos uma goiaba!

Olhei a nota fiscal e veja só, aquilo que entreguei era umalima da persa”.Sei lá o que é isso, mas se hoje você colocar ao lado de uma goiaba eu me lasco de volta. Voltei na frutaria para fazer a troca e tive que passar a vergonha de perguntar: goiaba qual é? (Já imaginou que ridículo?) Ah fazer oque, eu não como isso, não tenho obrigação de saber também.

Tenho vergonha quando penso que os outros pensaram que eu sou um jacu. Só de ter essa vergonha eu já tenho vergonha que pense que sou um jacu (Oi? Ta confuso?). Sabe, uma vez fui a um cartório (não quando cai de bunda), entrei no elevador e solicitei a ascensorista (profissão rara): 7° andar, por favor. Se tem uma coisa que eu acho ridículo é a pessoa que desce no andar errado, não sei vocês, mas eu SEMPRE reparo. Nesse dia, não é que me distraí (coisa que NUNCA me acontecia) e desci no 6° andar?

Foi mais ou menos assim, a porta abriu no 6° andar e eu esbocei o movimento para sair. Nesse momento eu percebi que estava errado, mas com certeza alguém já teria reparado que eu ia sair (capaz que as pessoas ficam reparando isso, só eu mesmo). Pra não passar a vergonha de voltar o movimento e dizer “ops, não é o meu”, eu saí,mas saí confiante mesmo, com pé firme no andar e provando pra quem quisesse que eu ia mesmo nesse andar.

Quando desci estava todo confiante, porque eu imaginava que ia sair em um lugar com várias portas de escritório e ninguém iria ver que eu estava perdido,mas dei de frente com uma recepção de uma clínica de olhos que era dona do andar todo. A moça da recepção ficou me olhando pra me atender, é claro que eu não podia passar a vergonha de dizer para ela que desci no andar errado, mas também não podia nem falar com ela, afinal eu não tinha uma consulta marcada e ela iria perceber que eu desci no andar errado, manja? Bom, pra resolver fingi que era de casa, dei bom dia e passei por ela com tudo.

Muitos pacientes esperavam para ser atendidos na recepção quando entrei. Então,além da recepcionista, eu tinha que convencer a todos que não desci no andar errado.Andei até o final de um corredor bem longo e voltei,fiz isso como quem fosse de casa mesmo,entrei rapidinho só pra ”falar ali com o médico que eu já tenho liberdade” e saí (pelo menos era isso que eu queria que a menina da recepção e os pacientes pensassem).

Bom, problema resolvido no andar que desci, disfarcei bem (eu acho que disfarcei né) e me livrei. Mas inevitavelmente eu precisava ir até o 7° andar, onde era o cartório, e lá com certeza ia ter alguém que me viu há poucos instantes descer no 6° e essa pessoa ia, com certeza, zoar com a minha cara.Para que essas pessoas que perceberam que eu desci no andar errado pensassem que eu NÃO desci no andar errado, tirei um truque do bolso: eu tinha um colírio. Antes de entrar no cartório, parei na porta e apliquei as gotas na vista, só pra eles pensarem: ah não, ele precisava mesmo ir na clínica antes de vir aqui no cartório. Isso tudo SÓ EU SEI (e agora vocês) e com certeza não tinha ninguém cuidando se eu desci no andar errado.

Na verdade eu pareci um retardado pra recepcionista da clínica e um idiota pingando colírio na porta do cartório, tudo isso por simples medo de achar que as pessoas iriam reparar que desci no andar errado. Qual o problema de descer no andar errado?Bom, um salve para minha habilidade de criar as possibilidades dos pensamentos das pessoas em minha volta e ainda improvisar soluções.

Fiquei mesmo com muita vergonha em todas essas situações e em muitas outras. Em todas elas o melhor remédio sempre foi correr,fugir da situação o mais rápido e longe possível.Sentir vergonha de parecer um bobo!Em que outras situações você fica assim?Quando sentimos vergonha, até mesmo tendo razão, somos capazes de mudar de opinião, só para não parecer um ESTRANHO diante dos outros. O que nos faz sentir assim é a necessidade de parecer normal, mesmo que o normal não seja bom.

Uma época da minha vida ia pra escola de carona com meus vizinhos, o pai deles levava a gente no seu Passat, bem antigo. O barulho que o carro fazia era bem alto, fora quando dava uns estouros no escapamento, realmente estava picado na bala! Mas a carona só nos levava 95% do caminho, o restante do percurso era a pé mesmo, sabe por quê? Porque os meninos tinham vergonha de chegar na escola com aquele carro, pagavam mico. O pai, muito compreensivo, sabendo o que os filhos pensavam, nem sequer questionava a situação, simplesmente fazia como eles queriam, a poucos metros (uma esquina antes) nos deixava, com um olhar de tristeza, mas deixava.

Então disse Jesus: “Ainda essa noite todos vocês me abandonarão…” Mateus 26:31

Por vergonha, em situações tão pequenas deixamos até mesmo as pessoas que gostamos desapontadas, quantas vezes, por vergonha, magoou alguém querido?

Pedro respondeu: “Ainda que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei!” Mateus 26:33

A verdade é que quando somos testados diante dos “normais” lutamos a todo custo para não sermos tachados de “loucos”.

“Você também estava com Jesus, o galileu”. Mas ele disse: “Não sei do que estão falando”. Mateus 26:70

Até quando vamos ficar com vergonha? Sinto uma tristeza gigante quando penso que no final, quando o tempo se esgotar, alguns dos meus amigos dirão: “Senhor eu acredito agora, antes eu tinha medo e vergonha de parecer um bobo”. Mas ele responderá o que ouviu a vida inteira: “Não sei do que está falando”.

Pipoca

Onde quer que esteja, seja na escola, no trabalho, no cursinho de inglês ou igreja é sempre fácil perceber que existem panelinhas. Mas espera! O que são essas tais panelinhas? Vejo isso sendo explicado nas palavras dos sábios heróis da atual televisão brasileira: os BBB’s. Eles dizem:Sabe Bial, é uma questão de afinidade”. Panelinhas são como as pipocas, sempre juntas no pacote, depois juntas e amontoadinhas na gordura fria e, quando essa gordura esquenta, todas pulam. E se uma estoura, todas estouram, porque a chapa esquenta para todas. É o compartilhamento da sensação de quentura e a parceria imbatível de um grupo todo junto e misturado na panelinha!

E isso não é errado, pois as pipocas também têm o direito de viver (e explodir) juntas. Assim como as panelinhas da vida real também não estão erradas, afinal as pessoas são movidas por emoções e sentimentos. Vivem suas vidas como um reflexo de tudo que aprenderam e entraram em contato na infância e adolescência. Gostar e deixar de gostar de certas coisas é natural, então pessoas que tiveram experiências parecidas na vida tendem a viver em uma cumplicidade maior.

Mas essa questão de afinidade me fez refletir em outras coisas que aprendi em minha pós-graduação. Conversar apenas com as pessoas que tenho afinidade não me acrescenta em nada, pois falamos de coisas que já sabemos. Conversar com pessoas que não gostamos nos dá a oportunidade de conhecer coisas novas. Quem eu não gosto me ensina coisas novas.

Voltando às panelinhas, lembro de uma história que aconteceu na minha época de escola, a excursão para a fábrica de refrigerantes. Dois ônibus foram preparados para levar os alunos da 5ª série A e 5ª série B. Como eram apenas dois ônibus e uma turma maior que a outra, naturalmente deveria existir uma separação. Por isso, provavelmente, as panelinhas seriam desmontadas por alguns momentos, apenas até chegar ao destino. Três colegas da minha sala foram jogados para o outro ônibus. Como a rivalidade era muito alta, imaginem só o impacto. O preconceito era escancarado na frase de recepção que ouviram: “Ué, vieram parar no ônibus dos pobres?” Que coisa estranha, a própria classe se inferiorizava. Com certeza a viagem não foi agradável para eles, pois foram ouvindo retaliações até inchar o escutador.

Quando chegamos ao ponto combinado fomos desprotegidos das carcaças de metal e alocados em um espaço pequeno para a visita, quase um corredor. O corredor impedia que grandes grupos se formassem e as DUAS panelas acabaram sendo divididas em DEZENAS. Assim, a visita aconteceu e a diversão, sem dúvida, foi inesquecível. Mas mais inesquecível que isso foi chegar ao salão grande, com diversas vitrines que mostravam em detalhes a instalação da grande fábrica. Aqui veio outra surpresa: mais uma vez as panelas tiveram a chance de aparecer. Um instrutor passou a seguinte atividade:

 Atenção alunos:

– Formem dois grupos;

– Cada grupo segure uma corda e forme um círculo;

– Sem largar da corda, façam um nó direito;

– O tempo para a atividade é de 5 minutos.

Quando a missão fosse cumprida, e se fosse cumprida com êxito, todos teriam direito a levar o super kit de presente da fábrica. Uau! Agora sim. Vamos ver quais realmente são os bons desses alunos. O primeiro grupo muito estrategista escuta o super chefe gritando (sempre tem um super chefe que grita) e passando um por baixo do outro, virando de ponta cabeça e fazendo muitos outros malabarismos, terminou o sofrimento com, pelo menos, 4 nós. O segundo grupo, com um líder que gritava ainda mais alto, diz para o último da fila fazer UM NÓ com o primeiro da fila, simples assim. Genial, sem dúvida estavam empolgadíssimos e comemorando a grande sacada.

Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. 1 Pedro 5:2

Tudo certo, a segunda equipe foi vencedora, certo? De jeito nenhum! As instruções não foram bem interpretadas porque o que os alunos estavam pensando o tempo todo era: vamos ganhar deles, vamos destruir eles!

Revisando as instruções: Atenção alunos; formem dois grupos; cada grupo segure uma corda e forme um círculo; sem largar da corda façam um nó direito; o tempo para a atividade é de 5 minutos.

Conseguiu entender agora? Era para formar dois grupos e fazer apenas um nó. O tempo todo o projeto era de uma mesma equipe, um mesmo TIME. Por que as pessoas não conseguiram sacar a mensagem? Por que a panela faz muito barulho, o ruído da gordura quente da panela atrapalha.

Estes homens deveriam, UNIDOS, defender o direito e mantê-lo com firmeza e decisão; assim teria sobre o rebanho todo, uma influência para a união. Conselhos para a Igreja – A organização da Igreja – Ellen G. White, pag. 249.

O grande problema das panelinhas não são as afinidades, mas a forma com que um GRUPO tende a pensar. Pensar apenas nas suas necessidades que, não necessariamente são as da escola, empresa, do cursinho de inglês ou da igreja. Um grupo formado dentro de uma instituição que defende uma bandeira se preocupa com suas necessidades e, assim, prejudica o restante. Qual a melhor forma de pensar? A igreja, afinal, não é um grande grupo?

Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas como o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhe foram confiados, mas como exemplos para o rebanho. 1 Pedro 5: 2-4

E eles deveriam ser varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria. Conselhos para a Igreja – A organização da Igreja – Ellen G. White, pag. 249.

Para ter discernimento para lidar com muitas pessoas é preciso buscar a sabedoria todo o tempo. Agir nas situações de grandes conflitos dentro dos grupos exige preparação de todos, pois quando chegar o momento de agir em TIME e não em grupo, saberão o que fazer. Mas repito: é preciso se preparar. Ninguém dá o que não tem! Não vamos dar fim às panelas de pipoca, apenas compartilhar o estouro quando o objetivo for o mesmo.

Treino é treino, Oração é Oração!

Sempre gostei de assistir o boxe.Não que eu goste da violência, mas admiro a técnica, a velocidade e as estratégias.Mohamed Ali demonstrava a cada apresentação um espetáculo de habilidade e talento, mas principalmente de treino. Hoje, é notável que as luvas vermelhas bem fechadas (próprias para o inverno) perderam o seu espaço para as pretas (de verão) do MMA.

As cordas se foram e as grades circulam.O retângulo se foi o octógonofirma os passos. Se a estrutura não é mais a mesma,os esportistas se mantém. Ainda vejo o mesmo espetáculo. Se o sinônimo de boxe é Mohamed Ali, o de MMA é Anderson Spider Silva. Se Spider se parece em muitas vezes com Ali, é simplesmente porque sempre sonhou em ser Ali.

O que os dois têm em comum não é simplesmente o talento, mas a vontade de ser o maior. Com a vontade de ser grande a dedicação nasce. Assim as semelhanças aumentam, pois se o objetivo é ser o melhor, o caminho é o mesmo. Esse caminho percorrido chama-se treinamento.

O que os dois têm em comum é muito treinamento e dedicação. Quando vemos o Anderson esquivando com a guarda baixa em frente à ex-campeões, e de relance soltando um direto de direita como se fosse um tapa bobo, pensamos: Mas que fácil!Já pensou o quanto é preciso treinar para chegar à um nível de jogo desses?

Mudando de MMA para outro esporte ligeiramente conhecido dos brasileiros, futebol. Não vou falar de futebol profissional, mas do futebol que pratico (ou pratiquei um dia) e que qualquer um pratica por ai. Já fui de jogarmais de uma vez por semana e lembro que em alguns jogos eu era demais, simplesmente o melhor, como diria no popular, comia a bola. Era como um Spider de guarda baixa esquivando dos melhores do mundo.

Hoje em dia jogo futebol muito raramente, mas muito raramente mesmo,e não que eu tenha esquecido como se joga, sei exatamente como jogar, mas não pratico futebol há muito tempo.Quando entro num campo para uma pelada, vejo a bola correndoem minha direção e, enquanto ela caminha, já seiqual jogador do meu time está mais bem posicionado para o passe, para qual lado virar e com que pé vou dominar a bola. Tudo está desenhado na minha cabeça, mas o que acontece quando a bola realmente chega em mim?

Muito tempo sem jogar futebol faz meu cérebro pensar, mas as pernas não obedecerem. A desculpa sempre é do tipo: Essa bola é muito leve! ou O campo ta molhado! Muito tempo sem jogar faz com que o resultado não seja o mesmo na hora do jogo. Por falta de treinamento que minha relação com a bola anda meio abalada.

A oração é a chave do céu, ela me leva para a fonte do amor, sinto paz, alegria e me livro do temor, não posso viver, sem TREINAR com meu senhor! Música de Daniel D. Salles.

Porque, em muitas vezes, estamos em jogo tão bem posicionados e recebemos um passe tão preciso mas não conseguimos dominar e chutar para o gol? Quantas vezes recebemos um passe e ficamos cara a cara com o gol, mas na hora do chute, inexplicavelmente erramos? A culpa é sempre da palavra azar, mas na verdade me diga, há quanto tempo não tem treinado?

Tenho recebido de Deus muitos passes, claro que os mais perfeitos que podia receber, e quando me deparo com o goleiro, já caído, posso ver Deus na expectativa para comemorar um gol abraçado comigo. E eu simplesmente perco a chance. Muitos são os presentes nesses lances imperdíveis que ele me concede na vida, até quando ainda vou errar? Até eu entender que para acertar o gol eu preciso é gastar tempo com treinamento.

Bom, treinar para jogar bola é fácil, realmente. Pega-se uma bola, mira em um gol e pimba! Simples, faça isso muitas vezes e terá, com muita prática, um resultado melhor. Mas e como fazer isso com a oração? Não foi à toa que os discípulos pediram uma aula de oração para Jesus, realmente é uma dúvida que todos os Cristão têm ou tiveram em algum momento na sua vida.

Certo dia estava Jesus orando em determinado lugar. Tendo terminado, um dos seus discípulos lhe disse: “Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou aos discípulos dele”.Lucas 11:1

Através da oração compartilhamos nossos sonhos, nossas vontades, abrimos nosso coração e recebemos poder. Oração é abrir o coração. Assim como o treino do futebol, precisamos ficar atentos aos obstáculos que nos afastam dessa prática: sono, televisão, diversão, computador, falta de disciplina, preguiça e a pior delas, a auto-suficiência. Lutero dizia que quanto mais atividades o nosso dia tivesse, mais ainda devíamos gastar tempo com Deus: “Na verdade tenho tanto trabalho a fazer que passarei as primeiras três horas do dia em oração.”

Os homens que tomaram as decisões certas nos momentos decisivos treinaram (oraram) muito e gastaram tempo com Deus, para que no momento que precisassem que as coisas fossem feitas, acontecessem sem nenhuma dúvida, nenhuma falha, mas com a perfeição que o treinamento os dava.

Treine, pois “não há tempo nem lugar impróprios para erguer a Deus uma prece. Nada há que nos possa impedir de alcançar o coração no espírito de oração sincera. Entre as turbas de transeuntes na rua, em meio a uma transação comercial, podemos elevar a Deus um pedido, rogando a direção divina,_. Devemos ter constantemente aberta a porta do coração, erguendo sempre a Jesus o convite para vir habitar nossa alma, como hóspede celestial” Caminho a Cristo, p.99

Ah, quer saber qual foi a resposta de Jesus ao pedido do seu discípulo? Ele disse, façam mais ou menos assim: “Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos os nossos devedores. Não nos deixe cair em tentação, mas nos livra do mal, amém!”

Que tal começar a treinar assim?

O Pastor Alemão

Criança gosta de coisas arriscadas: corrida de pneu velho na ladeira, bike street sem as hands, bike carona de caminhão, futebol de roller (haja canela), guerra com arminha de pressão (sem camisa), cuspir borracha com tubinho de caneta Bic (no olho vale mais), tratar “hoje não” e levar vuadeira nas costas na fila do hino nacional da escola e muito mais. Apertar a campainha dos vizinhos e correr também é muito arriscado e dá muita adrenalina, experimenta depois dos 20 anos pra ver como dá ainda mais emoção, acelera o coração demais. Enfim, o negocio é ser o mais malandro desde pequeno, tomar iogurte no pacote e Nescau de colherada.

Por essas e outras que eu vivia entrando em frias. No ponto de ônibus que eu esperava o Nilo Peçanha para voltar da escola pra casa, morava um cara muito louco. Ele odiava ver a galera sentada no muro dele enquanto esperavam o ônibus. Xingava e ameaçava dar porrada. E o que eu fazia toda vez que chegava para pegar o ônibus? Sentava no muro dele, claro! Certa vez meu primo resolveu dizer “vem então!”… Pra que? Eu corri demais, foram pelo menos três quadras e cheguei a passar por baixo de um caminhão que estava atravessado na pista. Fuga de cinema mesmo foi tipo filme de Bollywood, poderia até se chamar Duro de Matar Begins.

Mas a grande aventura mesmo aconteceu em outro dia, quando entramos em uma mata que PARECIA fechada, ficamos ansiosos e empolgados para desbravá-la. Era incrível, passar por cipós com nossos super facões (tínhamos mesmo) para construir nossa casa na árvore em local bem afastado. Foi emocionante até descobrir que logo a mata acabava e dava na rua debaixo. Que decepção, parecia uma floresta imensa com muitas cavernas, animais terríveis, desafios, mas na verdade era apenas um terreno muito grande.

Mas tudo bem, sem desanimar, descobrimos que ainda existia muita emoção na grande (minúscula) mata, pois uma mansão povoada por pouquíssimas pessoas e muitos pinheiros nos atraía. Fim da linha para desbravar a mata e início de uma nova missão: encher muitos sacos com pinhão. Desafio: 4 cachorros pastor-alemão, tão alemães que usavam suástica.

Caminhávamos há uma distância segura da grade e os cachorros nos acompanhavam lado a lado, babando e bufando. Estudamos o terreno, todas as entradas e percebemos que os bichinhos nos acompanhavam só até um ponto, dali pra frente um cercado os impedia de nos devorar. Tínhamos pinheiros livres por um espaço de mais ou menos 100 m² (aos 8 anos fiz esse cálculo e sabia o tamanho do território, ÓBVIU) e então podíamos recolher os pinhões do chão (não roubar, apenas recolher os que caíam).

A cerca de arame farpado não foi suficiente para nos segurar. Cortamos, invadimos e começamos a recolher os suprimentos. A tarefa tinha que ser feita agachada, assim o terreno montanhoso da mansão impedia que os serviçais nos vissem. Por dois dias, essa foi a rotina, invadir e recolher o fruto. Não era tão fácil quanto parece contando aqui, me lembro de fazer isso muito tenso e observando o tempo todo os selvagens guardiões Beckenbauer’s, para ver se algum não escapava para o nosso perímetro de ação. No terceiro dia de “trabalho” a tensão ainda era grande, mas fazíamos com mais agilidade, um pouco menos cautelosos e por isso até rolava conversa e distrações.

Conversa vai, conversa vem, quando um dos trabalhadores em uma crise de existência “desconfiou” que enxergou alguma coisa, ou ouviu algo e berrou: cachooorro!! Numa função tensa dessa, parar e analisar se o que ele falou era verdade, não dava tempo. Saímos como Jair Rodrigues sairia, em disparada. Deslizei no barro por debaixo da cerca de barriga no chão, cortei as costas (cortei bonito), corri sem parar pela mata, cortei cipós, cheguei perto da civilização, alcancei a rua, corri mais ainda, virei a esquina e entrei pra dentro de casa, ufa! Hoje não sei se realmente tinha um pastor-alemão na minha cola, mas preferi não olhar para descobrir, apenas fugi da ameaça.

Venho em breve! Retenha o que você tem, para que ninguém tome a sua coroa. Apocalipse 3:11

Um alerta ativado é o suficiente para me fazer fugir da ameaça. Foi assim que reagi esse dia. A fuga ficou na minha memória por alguns detalhes: o facão chegou a cair, mas recuperei, quando cheguei em casa tinha na mão uma sacola, não cheia, mas com um saldo bom de pinhões que ainda deu uma boa assada na chapa do fogão a lenha. Eu não tinha muito quando cheguei, mas me lembro de ter saído sem nada e na “selva” dos animais domésticos, conquistei um pouquinho. Se não consegui mais foi por que não tive tempo, mas o pouco que tinha nas mãos não perdi. Foi muito trabalho e sofri as ameaças de perder o pouco que eu tinha para os devoradores.

Os devoradores virão e, em tempos que o conhecimento e os suprimentos serão escassos, também teremos que estar atentos para não perder o pouco que temos. Sejamos cautelosos, sejamos atentos para não ser surpreendidos pela mata, nem pelos cachorros, nem pela rua ou mesmo pelo falso grito de emergência que enganará, se possível, até mesmo os escolhidos. Sempre alerta!

Pois muitos virão em meu nome, dizendo: “Eu sou o Cristo!” e enganarão a muitos. Mateus 24:5

Saudade dos Beliches

Eu dormia embaixo. Não que tivesse medo da altura, pelo contrário, inclusive sou pára-quedista. O curioso de dormir tão perto de um “teto” é que decoramos as marcas que ele tem. Lembro de cada marcação naquelas ripas atravessadas no caminho da vista. Guardo essas figuras na memória porque algumas formavam bichos e outras, paisagens. Mas já fui de dormir na parte de cima, e lá, da mesma forma, o teto era próximo, tão próximo que era possível tocá-lo. A sensação de alcançar tão alto assim, para uma criança, é marcante. Consigo me lembrar da primeira noite naquela altura toda.

De qualquer forma, preferia a parte de baixo, parecia ser mais protegido, como se me sentisse em um berço cercadinho que me protegia de sair e impedia que qualquer coisa pudesse entrar. Sim, porque quando somos crianças vivemos atormentados por monstros da nossa imaginação, são terríveis e cruéis. Curioso que hoje em dia, pensando melhor, caso existisse mesmo um monstro que viesse nos pegar, comeria o que está embaixo primeiro, não? Se eu fosse o monstro, faria isso. Está mais perto! Bom, eu me sentia mais protegido ali embaixo mesmo, mas não sei o motivo.

A parte de cima costumava ser do Thiaguinho. E veja só, ele tinha medo de altura (ainda tem) e costumava cair da cama com freqüência. Realmente nós não sabíamos nos proteger, deveríamos estar ao contrário nessas camas desde sempre. Eu ficaria protegido dos monstros e caso caísse, como já disse, sou pára-quedista e ele não correria o risco de cair e quebrar todos os ossos.

Bom, já com o Rei, irmão mais velho, não tinha tempo ruim, pois dormia tanto em cima quanto embaixo. É bem verdade que eu quase não lembro onde ficava a cama dele, pois já faz muito tempo que ganhou seu quarto individual e também bastante tempo que já ganhou até sua própria casa. Acho que, por isso, a imagem já não está tão fresca na minha memória. Mas não esqueço o restante, o nosso quarto costumava ser um ring de boxe, muitas meias eram usadas, as mãos eram enfaixadas e a porrada comia solta. Eu saía debaixo do meu beliche enquanto o adversário saía do outro logo que o gongo (panela) soava. Era uma emoção só, eu me divertia demais desde que meu adversário fosse o Thiaguinho, matava ele fácil, já com o Reinaldo o bicho pegava. Eu tenho pra mim que às vezes eu quase ganhava (tenho pra mim, não sei), mas, no fim, ele me nocauteava. Óbvio que sempre acabava em choro, péssima idéia para brincar.

Brigávamos muito quando o eletrônico conectado a TV irradiava as cores dos games. O vídeo game nos fez passar momentos inesquecíveis juntos, mas da mesma forma que o boxe, no fim aconteciam as brigas. A última que tenho em minha memória curta (ultimamente estou um velho de memória curta mesmo) foi uma briga que precisei sacar das estantes da mamãe os belos copos decorativos de porcelana para agredir o Rei, isso porque o controle do vídeo game já tinha voado há tempos. O meu irmão foi bonzinho nesse dia, me lembro bem que ele usou toda a sua força contra mim, mas não para revidar, simplesmente para me segurar, eu estava um tanto alterado e raciocinando pouco. Caso eu quebrasse um dos copos na cabeça dele teríamos vários problemas: ele morreria, minha mãe me mataria (pelo copo), minha mãe seria presa, meu pai ficaria depressivo e o Thiaguinho usaria essa desculpa para se enfiar nas drogas. Que cenário horrível! Que bom que não aconteceu e tivemos o desprazer de brigar muitas outras vezes, mas sempre com armas brancas.

As terríveis cenas de gladiadores faziam dos três mosqueteiros próximos, com isso papai e mamãe acalmavam os ânimos e, no balanço geral, penso: que saudade de falar com todos. Era muita briga, mas todos os problemas eram resolvidos juntos, pois os problemas eram só esses, conviver entre nós. O dia em que os beliches foram desmontados para dar lugar à camas individuais, a distância da família começou a crescer. Um quarto para três irmãos virou dois, depois o outro irmão (eu) ganhou o seu e, por consequência disso, o outro irmão finalmente ganhou o seu quarto exclusivo. Não muito tempo depois, o irmão mais velho saiu da nossa casa para morar na sua e isso vai acontecer comigo, quando eu me casar. Depois com o Thiaguinho, e assim a família que foi separada de quartos ficará realmente longe fisicamente. Para criar uma nova família, outras precisam ser desmontadas.

Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. Gênesis 2:24

Cruel? Não, é um presente! Se não pudéssemos fazer as nossas próprias famílias, aí sim ficaríamos sozinhos, pois o tempo não pára e o ser humano não consegue vencer um mal chamado pecado.

Pois o salário do pecado é a morte… Romanos 6:23

Isso ainda parece muito cruel? Lembrar que nossos familiares morrerão não é nada agradável mesmo. Será que não existe um jeito de ficar todo mundo junto, sempre?

… mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 6:23

Eis que eu lhes digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos… Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: “A morte foi destruída pela vitória”. 1 Coríntios 15:51-54

Claro que sim! Nosso Deus, tão fiel e justo, não nos deixaria sem uma solução. Outro plano, criado antes mesmo que o pecado entrasse no mundo, foi feito para deixar todos juntos, para que as famílias possam vencer a morte e permanecer juntas, sem que os beliches precisem ser desmontados, aliás, criando muitos outros, pois vamos descansar juntos, pais, filhos, irmãos e amigos em um grande quarto, com muitas camas.

Felizes e santos os que participam da primeira ressurreição! A segunda morte não tem poder sobre eles; serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele durante mil anos. Apocalipse 20:6

Todos eternamente vivos em Cristo, essa é a promessa. Não falo aqui de uma ilusão, um sonho de viver em um céu fictício, mas de uma realidade que está prestes a acontecer. Breve Jesus vai voltar e as famílias poderão ficar juntas para sempre.

Tem formiga no meu banho!

O banho é uma delicia. Adoro entrar pro chuveiro, inclusive no frio, desde que o chuveiro esteja realmente quente. Aqui em casa costumo ter esse prazer, apesar do sistema arcaico que utilizamos chamado de chuveiro elétrico. Ao sair pela manhã preciso de um banho. Minha mãe costuma me perguntar que tanto eu me sujei durante a noite, mas o banho pela manhã não serve simplesmente para limpar o suor, mas para acordar. Alias o principal fator é acordar, isso funciona muito bem comigo. Caso queiram me despertar de um sono pesado, um balde de água resolve. Nesse caso o risco que existe é de afogamento, pois não sei nadar.

A noite também me banho, aí a questão é realmente tirar toda a poluição de fluidos do dia-a-dia que fica no corpo, as “cracas” dos pés e o mau cheiro da gadeia. O banho é uma delicia, mas antes de poder chegar nesse grau de satisfação, preciso lidar com alguns problemas que não me deixam vivê-lo: são os mosquitos (ou moscas, ou pernilongos, ou seja lá como se chamam esses bichos com asas, do banheiro) que ficam no azulejo me olhando. Sim, olhando! Eles ficam me encarando.

No decorrer da vida desenvolvi diversas técnicas para derrubá-los, porque minha intenção nunca foi de fazê-los apenas sair voando para o teto e viver felizes, eu sempre quis que morressem mesmo. Cruel, mas verdade!

Dicas

Caso você queira apenas fazer com que eles voem pro alto e avante, jogue água. Caso queira derrubá-los, como eu faço, esfregue bem o sabonete nas mãos, faça uma conchinha apoiando a mão na barriga e então, arremesse. A combinação de água temperada com sabonete faz o bicho grudar no azulejo e escorrer até o chão. Depois disso, apenas empurre a correnteza até o ralo.

Mas alguns desses animaizinhos aprenderam a se defender do ataque com sabonete, realmente não são pegos, eles percebem a movimentação e, de alguma forma, escapam. Resolve se você apenas ensaboar mais as mãos, mas prefiro outra técnica. Ensaboe a cabeça com bastante xampu, pegue a espuma da cabeça com a mão (pode ser em forma de conchinha também) e arremesse contra o sujo do mosquitinho (a) (não sei identificar o sexo deles). O legal nesse modo de ataque é que você arremessa as espumas em todos os bichos, e a parede fica parecendo um bolo decorado com glacê. Depois de todos estarem envoltos na espuma e imobilizados, jogue a água para vê-los escorrer até o chão. Aí então, faz como o outro modo, empurre a correnteza até o ralo.

Problema resolvido! Resolvido com os mosquitinhos, porque no meu banheiro aparece de tudo, até minhoca (não faça essa cara de espanto porque já deve ter visto uma antes. É só morar em uma casa com terreno, em apartamentos realmente nunca vi. Aliás, nem imagino porque uma minhoca subiria 30 andares pra sair no seu ralo, só por problemas pessoais mesmo ou se quisesse entrar no Guinness Book). Mas ultimamente me resolveram aparecer formigas, meu banheiro está cheio de formigas. E sempre que entro no banho jogo água e elas escorrem pelo ralo. Com as formigas eu não tenho implicância, caso ela não desça quando jogo água, deixo quieto. Mas a questão é: como esses bichos não percebem que ali não é um local seguro pra se viver? Eu acho que em alguma fresta de azulejo lá de casa tem um túnel que leva pra um formigueiro bonito, cheio de construções, tuneis e formigas de EPI’s (Equipamento de Proteção Individual), mas penso: será que essas formigas que trabalham por conta própria e sem chefe, não estão precisando de algum gestor para mostrar pra elas que ali não é um bom lugar pra se viver?

Esses mosquitinhos e essas formigas resolveram viver em um lugar inconstante e imprevisível. Vivem com insegurança sem nunca saber quando os gigantes terroristas vão aparecer e ensaboá-los ralo abaixo. Eles não sabem se amanhã irão acordar. Falando assim até me lembro dos discursos Datenianos (feitos pelo apresentador Datena) que falam de segurança pública no Brasil. Ou dos discursos sobre as secretarias de urbanismos que não conseguem realocar as famílias que vivem em áreas de risco de deslizamento. Tadinhas das formiguinhas que tiveram suas vidas levadas por uma enchente terrível, assim como os moradores das áreas de risco.

Pobres criaturas que vivem com as preocupações: como será o dia de amanhã? Onde será o melhor lugar para morar (ou menos pior)? Onde firmar nossas fundações? Todas as criaturas querem morar em um lugar melhor, em um lar que não se desfaça da noite para o dia. Quando penso nisso, vejo que não existe lugar em nenhum canto desse planeta que me dê uma segurança como essa que sonho. Ali um furacão, por lá uma tempestade, logo ali uma onda gigante de água, lá uma onda gigante de lama, acolá uma onda gigante de larva e aqui uma tempestade de pólvora.

Esse é o motivo de que minhas esperanças não estão em uma morada aqui na terra. Mas também, não por isso, vou desistir da vida aqui. Muito pelo contrário, seguirei as recomendações do manual, viver da melhor maneira que puder instalando minha casa sobre o piso forte chamado rocha.

És meu Deus, a minha rocha, nele confiarei; é o meu escudo, e a força da minha salvação, o meu alto retiro e o meu refúgio. O meu Salvador; da violência tu me livrarás. 2 Samuel 22:3

O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo, em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio. Salmos 18:2

Confia sempre no Senhor; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna. Isaias 26:4

Aqui, nesse mundo imprevisível viverei assim, porque a minha grande esperança está nessa outra promessa feita por Jesus quando subiu aos céus:

Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. João 14:3;4.

Minha esperança é conseguir um lugar nessa casa.

Eu sei o que aconteceu no verão passado!

Quando cheguei vi cores, texturas brotando, suor escorrendo, sorrisos, caras fechadas (ninguém é de ferro), olhos fechados falando com Ele, canetas e blocos levantando as faltas, pulseiras amarelas, pulseiras azuis, água mansa, pessoas em descanso, pessoas cantando, comida na mesa, livros e bíblias. Vi também alguns exaustos fisicamente, mas dispostos a passar mais uma noite em claro, se fosse preciso, para que as coisas ficassem da melhor maneira possível.

Meus últimos 4 anos têm sido iguais em fevereiro (às vezes, março). Vou para o mesmo lugar, sigo a mesma rotina (CAFÉ E CULTO) e pratico os mesmos esportes. Um cronograma que prevê os eventos: café, culto, esportes, janta e PROGRAMA ESPECIAL – mas jamais os tornam previsíveis. Vivo sensações completamente diferentes e comemoro por não estar mais envolvido com a “grande Sapucaí”. Oportunidade especial que gostaria que todos um dia provassem, pois como já dizia o nosso mestre Joezer Mendonça “Guaciara, pra mim, é um aperitivo do que será o céu”.

Jovens, pais dos jovens e até avós dos jovens, encontram-se para festejar a oportunidade de ser feliz e “correr atrás”, não da bola, nem das braçadas e, muito menos, das pernadas, mas sim da salvação. Buscam a cada dia, em união, viver melhor, inclusive nos tempos da “grande festa do carnaval”, rejeitando o que o mundo tem a oferecer e sendo tratados como malucos, afinal não estão atrás do trio cantando “tche tcherere tchetche”.

O auge do nosso encontro em Guaciara esse ano foi ver alguém subir num palco para cantar para 210 exigentes “foliões” com apenas um violão. A aparência era de alguém nu e completamente desarmado, mas foi só começar a arranhar o aço que pudemos ver a sua maior arma explodir na multidão, o coração. Alguém que conseguiu ser como Deus nos pede, inocente como uma criança. Isso ergueu o público. Se a voz estava desafinada ou o violão falhando, o coração estava pulsando uma alegria e um prazer de alguém que estava realmente com Deus.

O homem e a mulher viviam nus, e não sentiam vergonha. Gênesis 2:25

O casal no Éden era puro e inocente, como esse texto mostra claramente. Não sentiam vergonha porque enquanto viviam em obediência o que os vestia era a glória de Deus.

“Esse casal, que não tinha pecados, não fazia uso de vestes artificiais; estavam revestidos de uma cobertura de luz e glória, idêntica à dos anjos. Enquanto viveram em obediência a Deus, essa veste de luz continuou a envolvê-los”. Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 45

Aquilo tudo que aconteceu foi o céu pra ele. E se não dá pra entender como um desafinado ganhou, deixa que eu explico o que aconteceu no verão passado: O Senhor é bom, fiel, justo e poderoso. Seja obediente e faça tudo com amor, mesmo se sentindo desarmado e nu, pois a glória de Deus te protegerá.

O que Deus fez nesse acampamento foi mostrar a todos nós que ele HONRA os puros de coração. Marquinhos ganhou porque amou cada momento que viveu e porque foi grato à Deus devolvendo para Ele seu talento.

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