Onde quer que esteja, seja na escola, no trabalho, no cursinho de inglês ou igreja é sempre fácil perceber que existem panelinhas. Mas espera! O que são essas tais panelinhas? Vejo isso sendo explicado nas palavras dos sábios heróis da atual televisão brasileira: os BBB’s. Eles dizem:Sabe Bial, é uma questão de afinidade”. Panelinhas são como as pipocas, sempre juntas no pacote, depois juntas e amontoadinhas na gordura fria e, quando essa gordura esquenta, todas pulam. E se uma estoura, todas estouram, porque a chapa esquenta para todas. É o compartilhamento da sensação de quentura e a parceria imbatível de um grupo todo junto e misturado na panelinha!

E isso não é errado, pois as pipocas também têm o direito de viver (e explodir) juntas. Assim como as panelinhas da vida real também não estão erradas, afinal as pessoas são movidas por emoções e sentimentos. Vivem suas vidas como um reflexo de tudo que aprenderam e entraram em contato na infância e adolescência. Gostar e deixar de gostar de certas coisas é natural, então pessoas que tiveram experiências parecidas na vida tendem a viver em uma cumplicidade maior.

Mas essa questão de afinidade me fez refletir em outras coisas que aprendi em minha pós-graduação. Conversar apenas com as pessoas que tenho afinidade não me acrescenta em nada, pois falamos de coisas que já sabemos. Conversar com pessoas que não gostamos nos dá a oportunidade de conhecer coisas novas. Quem eu não gosto me ensina coisas novas.

Voltando às panelinhas, lembro de uma história que aconteceu na minha época de escola, a excursão para a fábrica de refrigerantes. Dois ônibus foram preparados para levar os alunos da 5ª série A e 5ª série B. Como eram apenas dois ônibus e uma turma maior que a outra, naturalmente deveria existir uma separação. Por isso, provavelmente, as panelinhas seriam desmontadas por alguns momentos, apenas até chegar ao destino. Três colegas da minha sala foram jogados para o outro ônibus. Como a rivalidade era muito alta, imaginem só o impacto. O preconceito era escancarado na frase de recepção que ouviram: “Ué, vieram parar no ônibus dos pobres?” Que coisa estranha, a própria classe se inferiorizava. Com certeza a viagem não foi agradável para eles, pois foram ouvindo retaliações até inchar o escutador.

Quando chegamos ao ponto combinado fomos desprotegidos das carcaças de metal e alocados em um espaço pequeno para a visita, quase um corredor. O corredor impedia que grandes grupos se formassem e as DUAS panelas acabaram sendo divididas em DEZENAS. Assim, a visita aconteceu e a diversão, sem dúvida, foi inesquecível. Mas mais inesquecível que isso foi chegar ao salão grande, com diversas vitrines que mostravam em detalhes a instalação da grande fábrica. Aqui veio outra surpresa: mais uma vez as panelas tiveram a chance de aparecer. Um instrutor passou a seguinte atividade:

 Atenção alunos:

– Formem dois grupos;

– Cada grupo segure uma corda e forme um círculo;

– Sem largar da corda, façam um nó direito;

– O tempo para a atividade é de 5 minutos.

Quando a missão fosse cumprida, e se fosse cumprida com êxito, todos teriam direito a levar o super kit de presente da fábrica. Uau! Agora sim. Vamos ver quais realmente são os bons desses alunos. O primeiro grupo muito estrategista escuta o super chefe gritando (sempre tem um super chefe que grita) e passando um por baixo do outro, virando de ponta cabeça e fazendo muitos outros malabarismos, terminou o sofrimento com, pelo menos, 4 nós. O segundo grupo, com um líder que gritava ainda mais alto, diz para o último da fila fazer UM NÓ com o primeiro da fila, simples assim. Genial, sem dúvida estavam empolgadíssimos e comemorando a grande sacada.

Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. 1 Pedro 5:2

Tudo certo, a segunda equipe foi vencedora, certo? De jeito nenhum! As instruções não foram bem interpretadas porque o que os alunos estavam pensando o tempo todo era: vamos ganhar deles, vamos destruir eles!

Revisando as instruções: Atenção alunos; formem dois grupos; cada grupo segure uma corda e forme um círculo; sem largar da corda façam um nó direito; o tempo para a atividade é de 5 minutos.

Conseguiu entender agora? Era para formar dois grupos e fazer apenas um nó. O tempo todo o projeto era de uma mesma equipe, um mesmo TIME. Por que as pessoas não conseguiram sacar a mensagem? Por que a panela faz muito barulho, o ruído da gordura quente da panela atrapalha.

Estes homens deveriam, UNIDOS, defender o direito e mantê-lo com firmeza e decisão; assim teria sobre o rebanho todo, uma influência para a união. Conselhos para a Igreja – A organização da Igreja – Ellen G. White, pag. 249.

O grande problema das panelinhas não são as afinidades, mas a forma com que um GRUPO tende a pensar. Pensar apenas nas suas necessidades que, não necessariamente são as da escola, empresa, do cursinho de inglês ou da igreja. Um grupo formado dentro de uma instituição que defende uma bandeira se preocupa com suas necessidades e, assim, prejudica o restante. Qual a melhor forma de pensar? A igreja, afinal, não é um grande grupo?

Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas como o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhe foram confiados, mas como exemplos para o rebanho. 1 Pedro 5: 2-4

E eles deveriam ser varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria. Conselhos para a Igreja – A organização da Igreja – Ellen G. White, pag. 249.

Para ter discernimento para lidar com muitas pessoas é preciso buscar a sabedoria todo o tempo. Agir nas situações de grandes conflitos dentro dos grupos exige preparação de todos, pois quando chegar o momento de agir em TIME e não em grupo, saberão o que fazer. Mas repito: é preciso se preparar. Ninguém dá o que não tem! Não vamos dar fim às panelas de pipoca, apenas compartilhar o estouro quando o objetivo for o mesmo.

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