O banho é uma delicia. Adoro entrar pro chuveiro, inclusive no frio, desde que o chuveiro esteja realmente quente. Aqui em casa costumo ter esse prazer, apesar do sistema arcaico que utilizamos chamado de chuveiro elétrico. Ao sair pela manhã preciso de um banho. Minha mãe costuma me perguntar que tanto eu me sujei durante a noite, mas o banho pela manhã não serve simplesmente para limpar o suor, mas para acordar. Alias o principal fator é acordar, isso funciona muito bem comigo. Caso queiram me despertar de um sono pesado, um balde de água resolve. Nesse caso o risco que existe é de afogamento, pois não sei nadar.

A noite também me banho, aí a questão é realmente tirar toda a poluição de fluidos do dia-a-dia que fica no corpo, as “cracas” dos pés e o mau cheiro da gadeia. O banho é uma delicia, mas antes de poder chegar nesse grau de satisfação, preciso lidar com alguns problemas que não me deixam vivê-lo: são os mosquitos (ou moscas, ou pernilongos, ou seja lá como se chamam esses bichos com asas, do banheiro) que ficam no azulejo me olhando. Sim, olhando! Eles ficam me encarando.

No decorrer da vida desenvolvi diversas técnicas para derrubá-los, porque minha intenção nunca foi de fazê-los apenas sair voando para o teto e viver felizes, eu sempre quis que morressem mesmo. Cruel, mas verdade!

Dicas

Caso você queira apenas fazer com que eles voem pro alto e avante, jogue água. Caso queira derrubá-los, como eu faço, esfregue bem o sabonete nas mãos, faça uma conchinha apoiando a mão na barriga e então, arremesse. A combinação de água temperada com sabonete faz o bicho grudar no azulejo e escorrer até o chão. Depois disso, apenas empurre a correnteza até o ralo.

Mas alguns desses animaizinhos aprenderam a se defender do ataque com sabonete, realmente não são pegos, eles percebem a movimentação e, de alguma forma, escapam. Resolve se você apenas ensaboar mais as mãos, mas prefiro outra técnica. Ensaboe a cabeça com bastante xampu, pegue a espuma da cabeça com a mão (pode ser em forma de conchinha também) e arremesse contra o sujo do mosquitinho (a) (não sei identificar o sexo deles). O legal nesse modo de ataque é que você arremessa as espumas em todos os bichos, e a parede fica parecendo um bolo decorado com glacê. Depois de todos estarem envoltos na espuma e imobilizados, jogue a água para vê-los escorrer até o chão. Aí então, faz como o outro modo, empurre a correnteza até o ralo.

Problema resolvido! Resolvido com os mosquitinhos, porque no meu banheiro aparece de tudo, até minhoca (não faça essa cara de espanto porque já deve ter visto uma antes. É só morar em uma casa com terreno, em apartamentos realmente nunca vi. Aliás, nem imagino porque uma minhoca subiria 30 andares pra sair no seu ralo, só por problemas pessoais mesmo ou se quisesse entrar no Guinness Book). Mas ultimamente me resolveram aparecer formigas, meu banheiro está cheio de formigas. E sempre que entro no banho jogo água e elas escorrem pelo ralo. Com as formigas eu não tenho implicância, caso ela não desça quando jogo água, deixo quieto. Mas a questão é: como esses bichos não percebem que ali não é um local seguro pra se viver? Eu acho que em alguma fresta de azulejo lá de casa tem um túnel que leva pra um formigueiro bonito, cheio de construções, tuneis e formigas de EPI’s (Equipamento de Proteção Individual), mas penso: será que essas formigas que trabalham por conta própria e sem chefe, não estão precisando de algum gestor para mostrar pra elas que ali não é um bom lugar pra se viver?

Esses mosquitinhos e essas formigas resolveram viver em um lugar inconstante e imprevisível. Vivem com insegurança sem nunca saber quando os gigantes terroristas vão aparecer e ensaboá-los ralo abaixo. Eles não sabem se amanhã irão acordar. Falando assim até me lembro dos discursos Datenianos (feitos pelo apresentador Datena) que falam de segurança pública no Brasil. Ou dos discursos sobre as secretarias de urbanismos que não conseguem realocar as famílias que vivem em áreas de risco de deslizamento. Tadinhas das formiguinhas que tiveram suas vidas levadas por uma enchente terrível, assim como os moradores das áreas de risco.

Pobres criaturas que vivem com as preocupações: como será o dia de amanhã? Onde será o melhor lugar para morar (ou menos pior)? Onde firmar nossas fundações? Todas as criaturas querem morar em um lugar melhor, em um lar que não se desfaça da noite para o dia. Quando penso nisso, vejo que não existe lugar em nenhum canto desse planeta que me dê uma segurança como essa que sonho. Ali um furacão, por lá uma tempestade, logo ali uma onda gigante de água, lá uma onda gigante de lama, acolá uma onda gigante de larva e aqui uma tempestade de pólvora.

Esse é o motivo de que minhas esperanças não estão em uma morada aqui na terra. Mas também, não por isso, vou desistir da vida aqui. Muito pelo contrário, seguirei as recomendações do manual, viver da melhor maneira que puder instalando minha casa sobre o piso forte chamado rocha.

És meu Deus, a minha rocha, nele confiarei; é o meu escudo, e a força da minha salvação, o meu alto retiro e o meu refúgio. O meu Salvador; da violência tu me livrarás. 2 Samuel 22:3

O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo, em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio. Salmos 18:2

Confia sempre no Senhor; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna. Isaias 26:4

Aqui, nesse mundo imprevisível viverei assim, porque a minha grande esperança está nessa outra promessa feita por Jesus quando subiu aos céus:

Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. João 14:3;4.

Minha esperança é conseguir um lugar nessa casa.

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