Chego em casa depois do trabalho e minha linda mãe me apresenta uma mesa farta. Janta pronta, mas eu me apresentei nessa noite com uma resistência a comilança. A intenção era evitar que o sono fosse ruim e que o dia “subseqüente” (aprendi essa com o pessoal que fala bonito no trabalho) fosse de pouco rendimento. Preparei o meu prato com pouquíssimas opções, arroz, bolinho de carne e o tempero que adoro nessa combinação, o ácido e saboroso limão caseiro. Digo caseiro e você reconhece né? Aquele miúdo, amarelo e que às vezes vem com uma baita folha verde pendurada no resquício de galho.

Enfim, conforme planejado comi pouco. Até que escuto de mamãe: nunca mais faço pudim, você nunca come! Poxa, em consideração a esse apelo cheio de lágrimas tive que abrir uma exceção e só saborear um pouco do precioso pudim de leite-amor que ela fez. Pois bem, abri a geladeira, procurei o pudim, me servi e ao guardar veja só que coisa curiosa, tinha uma gelatina cremosa de uva com leite condensado que gritava: olhe eu aqui, olhe eu aqui! Não resisti.

Na mesma taça de sobremesa do pudim coloquei um pouquinho, quase nada da gelatina, só pra ela não ficar magoada (ela = minha mãe, não a gelatina). Agora sim, fiz as vontades da minha mãe, porque a minha deixei bem claro desde o inicio do texto que era apenas comer o suficiente para não morrer a noite. Quem não come nada não sobrevive a noite, sério dormir de barriga completamente vazia não pode, é preciso de gasolina suficiente para gastar nos sonhos aventureiros que nossa imaginação passa.

Bom, depois de tanto esforço para passar pelas tentações da vista vejo que dona Joana (minha mãe, e não me venha com piadinha sobre “a casa da mãe Joana”) não tinha tirado nem um punhadinho de alimento para jantar, ai pergunto:

– Ué mãe, não vai jantar?

 – Não meu filho, não tenho vontade de janta essa noite, vou só preparar uma saladinha de frutas pra comer antes de dormir.  

Barbaridade, salada de frutas? Que beleza, vou comer só um pouquinho (Pronto já era a idéia primária de comer pouco, vou dormir feito um mamute de tão leve). Mas olhe, que salada mais colorida. Eu fui saboreando, passei pelas frutas amarelas, laranja, banana e pêra, cheguei nas uvas, verdes e roxas. O pêssego não achei, mas continuei saboreando, eu tinha jogado um leite condensado adicional por cima, mas só porque a lata estava aberta e pra não estragar aproveitei.

Depois de tanta cor e sabor cheguei a encontrar na mistura uma coisa de cor vermelha, não era melancia. Agora pergunto: mannnhêê, o que é esse negocio que parece um tomate? Parecia mesmo um tomate, se ela confirmasse que era minha alegria teria acabado, primeiro que não gosto de tomate de jeito nenhum, depois na mistura do meu saboroso doce? Ah não. Resposta: ué meu filho, é caqui!

Mas vejam vocês que eu sempre critiquei o coitado do caqui, nunca achei bom e quer saber de uma verdade? Eu nunca tinha experimentado. Em meio a tantas coisas misturadas, algumas sementes sei lá do que, que me faziam estranhar o gosto descobri que caqui é bom. Eu estava empolgado com a suculenta laranja e demais cores e olhe só… CAQUI É BOM!

Não durmamos, pois, como os demais, antes vigiemos e sejamos sóbrios. 1 Tessalonicenses 5:6

Assim como minha surpreendente noite depois do trabalho, onde o plano era apenas jantar um pouquinho, o mundo nos oferece diversas possibilidades. Podemos a qualquer momento sair do plano, tentados pelo que os olhos cobiçam ou o paladar baba. O plano da janta simples pode aumentar depois que a sobremesa for oferecida. E se a sobremesa não for só uma? Se ela vier em diversos sabores, algumas cores a mais e mais surpreendente que o esperado por seu autocontrole?

Claro que é isso que irá acontecer, a fartura dos bens apresentados pelo mundo é inacabável, mas como alertado por nosso Deus devemos nos prevenir. Vigiar enquanto outros dormem, assim não seremos surpreendidos com coisas ruins. As sementes que vem junto dos saborosos frutos não são tão agradáveis, podemos dispensá-las. Com atenção podemos saborear o que o mundo tem de bom, sem nos perdermos, mantendo o controle sobre as vontades não nossas, mas as de Deus.

Ele não te repreende por experimentar, afinal te deu o livre arbítrio, mas torce pra que no meio da salada da vida que você vive descubra coisas boas e que chegue ao fim do “desfrute alimentar” com a descoberta: caqui é bom! 

Sem oração constante e perseverante vigilância, corremos o risco de ficar cada vez mais descuidados, e de desviar-nos do caminho reto. Caminho a Cristo Pág. 60 (versão 2008)

É necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe que Se torna compensador dos que O buscam. Hebreus 11:6

Sobriedade e olhos bem abertos para não confundir, mas entender o que Deus tem de bom para nos mostrar.

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