A adolescência no mundo de hoje é marcada pela rebeldia, pela vontade de fazer exatamente o que os pais não querem. Os jovens têm uma vontade anormal de enfrentar os pais. É difícil identificar o momento em que os nossos adoráveis filhinhos deixam de nos amar e dizer: te amo papai. De repente as crianças começam a odiar os pais, em que momento isso acontece é ainda um mistério. Eu também já fui adolescente e quando eu tinha 17 anos resolvi fazer o que se faz nessa idade, enfrentar os pais. Nunca fui de rebeldia, nem de desobediência, mas aos 17 anos em conversa com meu melhor e mais antigo amigo lançamos a idéia, decidimos fazer o que estava na moda, tatuagens. Ah com uma tatuagem as portas iriam se abrir claro, as meninas iriam olhar mais pra nós, seriamos bem sucedidos na certa. Então vamos lá, Marechal Deodoro, prédio cinza, escadas ou então um elevador de 1913, cortinas de madeira e um atendente que parecia uma almofada de alfaiate, cheio de furos, era o estúdio. Revistas nos apresentavam modelos e mais modelos, idéias incríveis, difícil escolher. Escolhemos os modelos e marcamos o horário com nosso novo amigo Para-raio. Feito, tudo marcado, só alegria, eu tinha o dinheiro separado, não dependia diretamente do dinheiro do meu pai, pois desde os 14 anos já trabalhava, então já era. Para-raio diz: “Viu, só preciso da carta de autorização feita pelos pais de vocês”. Ah agora complicou! A minha mãe seria fácil de convencer, não iria de jeito nenhum me proibir, agora meu pai… Esse ia deixar a coisa complicada. Chamei pra conversar, sentei, contei sobre a minha vontade, floreei o máximo que pude e ele me ouviu até o final. Depois de me ouvir, a resposta sem nenhuma explicação foi: “não!”. Mas pai, por quê? “Porque não, eu não quero e pronto.”

Apesar de ter o dinheiro, me achar independente eu ainda tinha 17 anos e ele quem manda. Pensei “logo faço 18 anos, não preciso brigar por isso, espero a data e então faço. O Dudu, meu amigo, depois de muita briga com seu pai fez o Leão Simba nas costas, (Zuei não era o Simba, mas era um leão) onde e como é assunto pra outro post. Cheguei aos 18 anos, e a minha tatuagem? Meu pai disse não, o simples não sem nenhuma explicação me fez pensar que algo maior estava pro trás daquilo. Essas três letras foram o suficiente para me impedir de fazer a tatuagem aos 17 anos, 18, 19, 20 e por toda a minha vida. Confesso que não entendi no momento essa resposta, mas não precisei.

Muitas vezes ouvimos de nosso Deus uma resposta negativa a um pedido, algo que pra nós parece incrível, que mudará nossa vida, nos transformará em pessoas melhores, mas Ele em todo o seu conhecimento nos diz: não. É difícil de aceitar, mas Ele sabe o que é melhor, ele conhece nossa vida e sempre tem algo maior e melhor para nos dar.  

“Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” 1 João 4:19

Sem entender meu pai aceitei sua norma, não fazer a tatuagem, simplesmente porque veio dele. A vontade de Deus em muitas vezes não pode ser compreendida por nós, mas olhando para o calvário, para o que Deus fez por nós em seu Filho Jesus Cristo é possível imaginar que sua vontade não seja a do nosso bem? É possível pensar que Sua vontade não seja a de nos resgatar e nos manter em seus braços fraternos em segurança? Quando olho para a cruz, só consigo ver o tamanho do amor de Deus e o seu conhecimento no que é melhor para mim e para você. Amo a Deus e faço o que manda, porque Ele me amou primeiro.

“O vento sopra onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com todos os nascidos do Espírito” João 3:8

Às vezes não precisamos entender a vontade da ordem, simplesmente reconhecer a voz de quem a deu.

 

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