Dia cansativo em meio a telefonemas no trabalho, situações delicadas para resolver, sistemas que não funcionam, suporte de T.I que parece operado por robôs, mas na verdade são humanos como nós e nem sempre conseguem nos satisfazer em tempo solucionando um problema do tipo  o sistema não responde. Depois da intensa maratona diária dentro de castelos de cimento, sentados em nossas cadeiras giratórias de braços reguláveis arranca paletó e olhar fixo e atento em nossas maravilhosas telas de LCD, ou não, o que realmente queremos é descanso. As 18:00 saio me despedindo de alguns colegas de revezamento, desço as escadas de madeira, passo a porta de vidro e finalmente a liberdade. Liberdade provisória, ou ilusória, basta andar mais alguns metros para entender que o trajeto até nosso objetivo principal vai demorar e talvez doer, pois uma fila indiana de mais ou menos 23 Km com destino ao tubo do bi-articulado na estação Bento Viana me espera. Em verdade, fila é uma coisa que não me incomoda, já para as pessoas que estão ali, esperando aquele ônibus o que se vê é revolta.

 Outro dia alguém resolveu atravessar a rua enquanto um bi-articulado estava parado, na mão contraria um carro de policia vem, sua freada fez um barulho assustador e em seguida o que se sente é o cheiro de borracha queimada do atrito do pneu com o asfalto. Sem tempo e espaço para desviar acertou em cheio uma moça, suas sacolas voaram seu grito fez eco e ela caiu deixando aparente toda a fragilidade da vida de um ser humano diante de suas próprias criações confeccionadas em toneladas de metal e que chamamos de carros. Os paramédicos chegaram e o que aconteceu com a mulher depois disso eu não sei, mas vi o que aconteceu com as pessoas que estavam naquela fila. Uns viram exatamente o que aconteceu, outros não, mas sabiam de detalhes impressionante como, por exemplo, se o policial estava ou não de serviço. Eu achava engraçado como coisas que não aconteciam ou não estavam claras de repente viravam a mais absoluta verdade. O policial era o errado apesar de a moça ter atravessado fora da faixa de pedestre. Ele parou, prestou socorro e seguiu com a moça para o hospital, enquanto alguém dizia e já pensou se ele foge? Fugir? Alguém pergunta. Ah mas se ele foge ia ver uma coisa, esse sem vergonha! Responde outra. E em poucos segundos a caveira do cidadão estava feita e se bobeasse seria linchado, sem sequer ter culpa e mesmo tendo ajudado e se importado com aquela pessoa. O ser humano é assim, julga, culpa, difama quem está pronto a ajudar.

Depois de todo o stress a fila anda, chego às escadas, subo os dois degraus do tubo, comprimento o cobrador que na maioria das vezes não é muito simpático a não ser que você esteja de saia, e eu realmente não costumo usar saia e nem ficaria bem se usasse com essa perna fina e peluda. Pra dentro do tubo o que era uma fila vira um agrupamento sem ordem de pessoas disputando o espaço mais perto da porta para entrar o mais rápido dentro daquele troço de 20 m de extensão e 5 portas assustadoras que engole e cospe pessoas. Depois de educadamente ser empurrado pra dentro, porque em muitas vezes eu não quero entrar naquele ônibus, mas a multidão não permite, me empurra me leva e em poucos segundos estou lá no mostro vermelho. Dai pra frente às tentativas são de disputar um pedaço de uma barra de metal para poder se equilibrar enquanto um piloto que parece estar e uma fuga desce a avenida sete de setembro a mais ou menos 347 Km/h. A máquina na parte de traz é uma aventura, suas articulações parecem que não vão dar conta de segurar o sacudir dos amortecedores desafiados pelas elevações do asfalto que, diga-se de passagem, não é dos melhores. E a luta contra a multidão continua, depois de algumas paradas onde o máximo que consegui foi pisar com os dois pés no chão, pois antes o espaço não permitia e um dos pés descansava apoiado na panturrilha, o ônibus para. Mais uma vez parece que ninguém desce, e realmente não desce, a porta 2 não abriu. Na articulação entre as portas 2 e 3 um tumulto começa e sem entender nada você começa a ser levado em direção a porta 3 e escuta alguém dizer, a 2 não abriu. A coisa fica pior porque na porta 3 o que acontece é o embarque e pessoas que querem adentrar o ressinto coração de mãe  são atropeladas por outras que fazem da entrada a saída. Outro grito vem da dianteira com a mensagem: espera, espera, a porta 2 abriu. E outra movimentação começa e eu sou empurrado e levado pela multidão para o caminho que eu não quero. Meu objetivo não é esse, mas a maré de pessoas é muito mais forte e sou levado por eles num destino diferente do imaginado. As pessoas me influenciam na base da força física para a saída, mas espera… eu não quero sair, eu vou ficar aqui até chegar a minha parada, só desembarco quando ouvir a voz dizendo o nome da minha estação.

Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar. Resistam-lhe, permanecendo firmes na fé, sabendo que os irmãos que vocês tem em todo o mundo estão passando pelos mesmos sofrimentos. 1 Pedro 5:8,9

As tribulações virão e pra nós que somos jovens as tentações são infinitas, de todos os sabores, de todas as cores e de todas as texturas. Do tipo que o mundo nos empurra ou nos impõe, que nos fazem balançar e quase descer na estação errada. Quase descemos na estação errada quando aceitamos um convite para uma festa onde o único objetivo é perder o objetivo, a consciência e dependendo do nível de envolvimento a vida. Se entregando a bebidas, drogas e tudo mundano criado com um simples objetivo, destruir a criação. Quase descemos na estação errada quando em um momento de fraqueza nos entregamos em poucos minutos de prazer que podem nos custar o prazer eterno de estar ao lado de Deus.

Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança, a perseverança, um caráter aprovado, e o caráter aprovado, esperança. Romanos 5:3,4

É preciso ter força para enfrentar a nós mesmos em nossos pontos fracos e onde constantemente somos atacados, e não por acaso, mas por conhecimento do inimigo que nos ronda, nos sonda e conhece cada passo que damos, ele não descansa. Mas não podemos esquecer que é preciso vencer o tentador, suas armadilhas e a cada vitória seremos presenteados com um sorriso, grande e cheio de luz, que realmente eu tento imaginar que Jesus está me entregando. Como seria o sorriso de um salvador que olha pra cá, aponta o dedo com orgulho, afronta o inimigo e cheio de alegria diz: foi por ele que morri. Seria um sorriso que faz todo o céu tremer, e hinos de louvor serem tocados pelos anjos para comemorar mais uma vitória.  

Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus, creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito.  Vou preparar-lhes lugar. E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver. Vocês conhecem o caminho para onde vou. João 14:1-4

A multidão vai continuar te empurrando, insistindo que o seu desembarque já chegou e com toda a força te jogando nas bocas de saída do gigante de 20 m. Resista aos “fortes”, porque de fato não passam de fracos caindo nas tentações do mundo. Seja forte porque anda com Deus, quem tem Ele ao lado jamais perde, por mais fortes que pareçam os brutamontes, as velhinhas com sacolas, gestantes e lactantes. Não escute os zumbidos das conversas nem se prenda distraído a leitura do bilhete que recebeu “eu podia estar matando, roubando, mas to pedindo”. Sua decida será no momento em que escutar o chamado da caixa de som da locomotiva, o nome da estação será irresistível pra você. E assim que descer irá enxergar uma transformação, a estação de ônibus ganha uma pista maior, mais larga e bem asfaltada. Um salão enorme chamado de sala de embarque nos revela um grande aeroporto.  Lá milhares já nos esperam, além de alguém muito importante, o comandante. Com uma plaquinha nas mãos com o escrito Filho vem comigo, você desceu na hora certa e acompanhado do comandante iremos embarcar nas nuvens, subir aos céus rumo à terra prometida e receber a morada preparada pelo Pai. Faz assim, resista, pois Jesus Cristo vai voltar, então desça.  

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